COSTURANDO HISTÓRIAS DE BELEZA

por Silvana Gonçalves


Um fazer delicado e transformador de uma profissão antiga (nasceu na Idade Média) faz parte da vida de duas jovens. Bárbara Fagundes, 31 anos, e Jeniffer Brollo, 27 anos. Elas não se conhecem, mas têm algo muito em comum: a paixão pela moda e pela costura. Completas por esses sentimentos, as pequenas mãos seguram firmes e delicadamente os tecidos e, assim, costuram histórias, recheadas de beleza e dedicação. Muito mais do que peças de roupas, ou moda, elas criam vínculos afetivos e oferecem beleza.


O pequeno município de Garibaldi, com 30.689 mil habitantes (IBGE 2010), localizado na Serra Gaúcha, abriga o ateliê de Bárbara, a Modista. Em meio a paisagem, dos prédios antigos, entre um apito e outro da Maria Fumaça, a moça costura, faz moda. Foi flechada pelo ofício ainda pequena, ao costurar uma boneca de pano. Antes de entrar para o mundo da moda, a vida levou Bárbara para a área de conhecimento de Exatas, mas, também, a mudar, e logo, o rumo desta história. Autodidata, mas com formação superior em Design de Moda pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), Bárbara cria, costura e conecta por meio de tecidos e linhas a moda com o propósito de um bem maior: o de difundir a política do bem vestir e bem viver. Cada peça de roupa confeccionada pela jovem torna-se um elo com as clientes, proporcionado pela beleza. Elas enxergam em Bárbara mais do que alguém com o dom de atender a um desejo, mas uma pessoa com quem podem conversar, expressar a sua opinião e concretizar algo importante: sentir-se bonita, confortável, à vontade e, deste modo, elevar a autoestima. “As clientes gostam do que faço, mas vem aqui, também, pelo contexto todo”, enfatiza. E o processo de criação estimula fortes laços, pois a modista, muitas vezes, inicia o trabalho a partir de uma ideia pré-concebida pela cliente, e no decorrer, a sensibilidade e a percepção falam mais alto, e ela passa a entender como satisfazê-las. Muitas vezes, o trabalho vai além. É preciso que as clientes passem a enxergar quem elas realmente são. “Gosto de incentivá-las a olharem-se no espelho e olhar para quem são e amarem-se. É uma experiência, muitas vezes, de cura”, conta.


Fotos: Daniela Radavelli


Assim como toda costureira, Bárbara tem um amor especial pela sua ferramenta de trabalho, a máquina de costura, e orgulha-se da história e da conquista de cada uma delas. A primeira veio pelas mãos de sua madrinha, também costureira. Ela viu um blazer confeccionado por Bárbara, ficou entusiasmada com o talento da jovem e a ajudou na compra do equipamento. E como não poderia deixar de ser, ao contrário das costureiras das gerações anteriores, que aprendiam com suas mães e avós, em moldes de papel e máquinas manuais, a jovem aprendeu a costurar por meio de vídeos do YouTube. Posteriormente, vieram os cursos de corte e costura e modelagem.


Tudo começou quando ela foi desafiada por uma amiga a confeccionar um vestido para um casamento. Bárbara - que une praticidade e imaginação - foi em busca de um estágio e, por seis meses, trabalhou no Atelier Ana Dotto. “Em pouco tempo estava costurando vestido de noiva”, lembra. Ao mesmo tempo em que tecia sua história na moda, trabalhava em um escritório, no setor administrativo e chegou a cursar Farmácia por alguns meses. Mas o talento pela costura, outrora sufocado, acabou falando mais alto.


Ligada nas redes sociais, Bárbara divulga seu próprio trabalho nos seus perfis no Instagram e Facebook. De uma postagem tímida de uma peça vieram os primeiros pedidos e o incentivo para iniciar a carreira. E como é típico da geração “internet”, os pensamentos da jovem são múltiplos, assim como as habilidades. É ela quem compra, modela, costura, atende, vende e publiciza o material. Além disso, imprime, em seu estilo contemporâneo, a preocupação com a sustentabilidade, evitando o máximo de descarte possível. Os restos de tecidos são separados e doados para costura de camas de cães. “Amo meu trabalho, posso trabalhar quantas horas for e faço tudo para que seja o melhor, para proporcionar beleza ao mundo”, diz.


Quando Bárbara fala em beleza é no mais amplo sentido, o de ser a sua própria verdade, focando naquilo que realmente é necessário e, na opinião dela, o vestir-se reflete tudo isso e a moda possibilita você ser a “beleza de quem se é”. Com esse mesmo olhar, Jeniffer, em seu ateliê localizado em Caxias do Sul, entusiasma-se com cada peça que cria, confecciona, divulga e envia à comercialização. Sim, Jeniffer e Bárbara pertencem a um grupo de jovens empreendedoras, autônomas e independentes, dispostas a aprender tudo o que for possível para serem eficientes e livres profissionalmente. A cada coleção, por exemplo, Jeniffer organiza um desfile em um hotel ou casa de eventos, chama as clientes e apresenta as peças. “Sou responsável por tudo, faço muitas coisas, mas isso oportuniza, além do autoconhecimento, ser livre”, ressalta com alegria.


Jeniffer chegou a trabalhar na Malharia Anselmi, onde aprendeu várias tarefas: da compra de linhas e tecidos à comercialização. E foi lá mesmo, sob os conselhos de Sandra Anselmi, que veio a descoberta de seu espírito empreendedor. Para ela, cada acontecimento trouxe uma lição, até mesmo nos anos em que “fugiu” do seu real talento. Em dúvida sobre a carreira, cursou Fisioterapia e Arquitetura, e foi por essa última que chegou à moda. O campus das duas faculdades, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), era o mesmo. Jeniffer, encantada, passava mais tempo trocando ideias e participando de eventos e projetos com os alunos do curso de Moda. Mais uma vez, trocou de curso, mas, desta vez, entrou de cabeça. Participou do concurso da Revista Donna, de Porto Alegre, promovido entre todas as universidades do Estado e acabou vencedora, junto com mais duas alunas, uma de Novo Hamburgo e outra de Pelotas. “Tinha menos de uma semana para confeccionar dois looks completos. Pensei: vou fazer isso”, lembra.


Foi quando olhou para sua história e percebeu o quanto amava a costura. Ainda menina, passava horas com a mãe costureira. Fazia roupas de bonecas e bordados. “Minha mãe incentivava tudo o que fosse artesanal, fiz vários cursos, inclusive, de cerâmica”, conta. Mas quando chegou a época do vestibular precisava escolher uma profissão e a moda não era uma profissão “dita convencional” e, por isso, surgiu a dúvida. “Estava em conflito. Sabia o que queria, mas tinha medo”, destaca.


Com o passar do tempo, os temores foram ficando para trás e Jeniffer, cada vez mais encantada com a profissão e certa de que a moda tem um propósito fundamental na vida das pessoas, foi descobrindo seu caminho. A jovem não fugiu ao seu destino por acreditar, fundamentalmente, que a beleza está dentro de cada um e a moda é uma forma de expressá-la.

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