• Maria Antônia Nery

JANEIRO BRANCO: CUIDE DA SAÚDE MENTAL

Tão importante quanto nossa saúde física, é a saúde mental. Ela afeta diretamente em nossa rotina, no nosso comportamento e, como vemos o mundo. Janeiro é o mês dedicado a falar sobre ela.

Foto/Reprodução Freepik jcomp.

Cuidar da saúde mental é um ato de amor próprio, e muda vidas. É sempre importante consultar um psicólogo, pois eles sabem como lidar e como lhe ajudar com seus problemas, seja ele a depressão, a ansiedade, algum transtorno ou até alguém com quem conversar, que vai ajudar a entender seus próprios sentimentos. Não é necessário ser diagnosticado com algo para procurar ajuda psicológica.


Hoje convidamos a psicóloga Patricia Padilha para conversar sobre este tema tão importante.

Paticia Padilha. Foto por SP Produções.

E: Como foi a sua carreira até o momento?

P: A carreira de psicóloga permite diferentes áreas de atuações para o profissional que a escolhe, de acordo com seus objetivos e perfil profissional. Quando me formei atuei um período na área organizacional e em paralelo na área clínica. Mas, optei pela área clínica, entendi que ali estava meu desejo e também minha aptidão. Desde 2018 atuo na clínica particular, com consultório próprio.


E: Por que você escolheu ir para a psicologia?

P: Eu escolhi a psicologia ainda quando fazia o curso de administração, minha primeira graduação. Eu cursava uma disciplina de psicologia no curso. Naquele momento, me apaixonei pela área e percebi a importância dessa profissão na vida das pessoas. É muito bonito acompanhar as mudanças que o paciente faz no seu percurso terapêutico. É uma gratificação imensa acompanhar sua evolução, suas descobertas, o encontro que faz consigo mesmo, com sua sombra. Aos poucos, não como mágica, pois é um processo mais lento para alguns, a pessoa vai se transformando, se modificando, conhecendo-se melhor e se permitindo experimentar coisas novas, fazer escolhas diferentes e, às vezes, até seguir caminhos diferentes dos que, até então, havia escolhido. Isso é lindo.


E: Qual o principal papel do psicólogo?

P: Cada contexto de atuação pressupõe um papel distinto aos profissionais da psicologia. Mas, se tratando da área clínica entendo que o psicólogo é o profissional que estudou para trabalhar com as queixas associadas aos conflitos internos de seus pacientes, às quais, geram desconforto a ele e, muitas vezes, às pessoas de seu ciclo de relacionamentos.


O psicólogo é o mediador no processo de busca da origem dos incômodos de seu paciente, discutindo com ele as consequências desses incômodos em sua vida, ajudando a encontrar caminhos para libertar-se deles, almejando tornar a vida mais confortável e adaptável possível.


O psicólogo deve ter um olhar integral sob o sujeito, em sua dimensão biopsicossocial, compreendendo o paciente em sua dimensão biológica, psicológica e social. Irá auxiliá-lo na busca pelo autoconhecimento, ao mesmo tempo em que estará atento ao contexto que esse sujeito está inserido e, às suas relações sociais.


E: Qual a importância de cuidar da saúde mental?

P: No contexto sócio-econômico atual, o nível de exigência da sociedade aumentou. Somos mais exigidos no trabalho, nas relações afetivas, no consumo de bens, etc. Para dar conta de tantas exigências as pessoas precisam trabalhar mais, cuidar mais do corpo, vestir-se melhor, comprar mais, buscando sempre alcançar padrões ditos como “normais”. Mas, é preciso entender que, a partir do momento em que as pessoas buscam atender tantas exigências é comum também o surgimento de sintomas como ansiedade e estresse, depressão, síndrome do pânico e tantos outros sintomas e patologias que muitas vezes incapacitam o sujeito e o adoecem psiquicamente. Cuidar da saúde mental é fundamental, não apenas para lidar com tantas exigências, mas sobretudo, para compreender quais delas se quer atender e quais delas não são necessárias adotar no cotidiano e nas relações. Ter um espaço de escuta e acolhimento, um local onde se pode refletir sobre desejos e inquietações, é de extrema importância para manutenção de uma boa saúde mental. Torna-se, nos dias atuais, imperativo para não adoecer. É preciso refletir que se buscamos o cuidado do corpo, por meio das diversas especialidades médicas, também devemos buscar o cuidado com nossa mente, com nossos pensamentos e emoções, visto que somos um ser integral.


E: No que as sessões com a psicóloga podem ajudar?

P: Ajudam o paciente a refletir sobre seu mundo interno, seus desejos, sonhos, inquietações, tristezas, sobre a diversa gama de sentimentos e emoções que o permeiam. As sessões auxiliam o paciente a chegar a um entendimento de si mesmo e do meio em que se relaciona, contribuindo com mudanças significativas no seu mundo interno, mas que também irão refletir em suas relações afetivas, profissionais, sociais. O sujeito pode, por meio do seu processo terapêutico, alcançar um saber crítico sobre si mesmo e sobre sua realidade, apropriando-se de suas escolhas, desejos e concretizando seus objetivos e sonhos.


E: Você acredita que ainda existe um tabu com as doenças mentais?

P: Infelizmente ainda existe. É inegável o estigma com a doença mental. Ao longo de décadas os portadores de algum transtorno mental enfrentam preconceitos e discriminações. Na atualidade, o medo da repercussão negativa, a vergonha por conta do estigma negativo, preocupação de ser visto como fraco, medo que afete carreira ou relações sociais e a própria dificuldade de aceitar-se, ainda fazem parte do contexto social. Aliado a isso, enfrentamos ainda o olhar do outro, muitas vezes hostil e julgador para com o portador de algum transtorno mental. Nos contextos de trabalho, muitas vezes a depressão, por exemplo, é vista como sinal de fraqueza. Isso ocorre pela dificuldade de aceitação da própria tristeza e da tristeza do outro. Socialmente, não há lugar para os queixosos. As redes sociais são um exemplo concreto disso. Há uma representação compartilhada socialmente sobre o que é belo, correto, o que dá mais likes e chama mais atenção. Nesse contexto não cabe tristeza. Isso corre pela dificuldade de aceitação da própria tristeza ou da tristeza do outro por parte das pessoas. As pessoas precisam aceitar que assim como alguém vai ao médico e não tem vergonha de falar, dizer que vai ao psicólogo também não deve ser motivo de vergonha.


E: Qual a faixa etária mais difícil de procurar atendimento?

P: A minha experiência, como psicóloga, tem mostrado que a faixa etária a partir dos 50 anos recorre menos à busca pelo atendimento psicológico. Mas, essa pode ser a minha realidade e não de outras profissionais. No meu caso, a faixa etária dos 18 aos 35 anos compõe o quadro de pacientes que atendo.


E: E qual a faixa etária que mais está procurando agora? Você acha que existe algum motivo específico caso haja diferença nas idades?

P: Tenho sido procurada por pessoas mais jovens, na faixa etária dos 18 aos 35 anos. Mas, essa é a minha realidade, talvez não represente a realidade de outros profissionais. Acredito que os jovens estejam mais abertos à busca pelo autoconhecimento, com mais sede de novos olhares e visões diferentes, mas também mais confusos e perdidos quanto às suas escolhas e sentimentos. Esses aspectos contribuem para que busquem ajuda psicológica para resolver suas conflitivas internas.


E: Com quais métodos você trabalha?

P: Eu sigo a abordagem psicanalítica e fiz formação em Terapia EMDR (Dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimentos oculares). É uma abordagem terapêutica baseada em evidências científicas, reconhecida hoje pela OMS – Organização mundial da saúde como altamente eficaz para cura de traumas. O EMDR opera com o reprocessamento de memórias traumáticas, permitindo ao paciente reprocessar essas memórias e ter uma nova forma de viver e experimentar o mundo e se relacionar, diminuindo seu sofrimento e melhorando sua qualidade de vida. Procuro estar sempre em busca de novos cursos e formações, para melhor atender as diferentes demandas trazidas pelos meus pacientes. Nossa profissão exige contínua atualização e procura por novas práticas e métodos. É preciso estar aberta a novas abordagens e técnicas, todas respaldadas pelo nosso conselho de psicologia.

Foto por SP Produções.

E: Você notou se há um aumento expressivo de casos de depressão e ansiedade comparado com alguns anos atrás?

P: Na clínica, a procura por terapia sempre vem acompanhada de sofrimento e muitas vezes de ansiedade como principais sintomas. As estatísticas da OMS apontam um aumento de mais de 50% nos quadros de depressão no mundo e quanto à ansiedade, os dados mostram que 9% da população brasileira apresenta algum transtorno de ansiedade. Acredito que será cada vez mais frequente a prevalência de transtornos mentais, caso não observemos melhor nossas relações, conosco mesmos e com os outros. Precisamos frear um pouco, respirar e refletir sobre o que realmente é importante e o que fazemos para atender padrões externos, gerando sofrimento psíquico.


E: Você acha que a pandemia afetou negativamente pacientes em tratamento?

P: Meus pacientes, particularmente, foram afetados pela pandemia mais no que se refere ao prejuízo em suas interações sociais. A reclusão fez com que tivessem que olhar mais para si mesmos – o que de todo não é negativo, mas também gera sofrimento em muitas situações e prejuízo em relações familiares. As pessoas têm passado mais tempo em família, tendo que dar conta de situações desafiadoras do ponto de vista das relações. A pandemia aumentou sensivelmente os casos de ansiedade. Uma pesquisa feita pela UFRGS - Universidade do Rio Grande do Sul, identificou que mais de 80% da população brasileira tornou-se ansiosa na pandemia. A psicologia tem papel fundamental nesse momento, contribuindo para gerar conhecimento e reflexão sobre o assunto, desmistificando informações e alertando sobre a importância da saúde mental e sobre a relevância de buscar ajuda especializada para lidar com os momentos de crise.


E: Qual é a importância de procurar um psicólogo, principalmente na pandemia?

P: Com a pandemia, a necessidade de isolamento tem feito surgir mais casos de transtornos mentais. Nesse contexto, o papel do psicólogo vem ganhando destaque positivamente. As pessoas estão mais distanciadas de suas redes sociais de apoio. Os laços afetivos, fundamentais para uma boa qualidade de vida e saúde mental, sofreram prejuízo. Buscar um psicólogo, nesse momento, pode contribuir para manutenção da saúde mental, ajudando a enfrentar esse período como uma parte da vida e não como uma situação irreversível, imutável. Precisamos, como sociedade, também refletir sobre nossas relações pessoais, profissionais e até mesmo com o meio ambiente e nossas formas de consumo. Esse momento exige além de autocuidado, responsabilidade com o outro.


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