• Maria Antônia Nery

SUPERAÇÕES DE UMA PANDEMIA

O COVID-19 trouxe consigo muitas mudanças. Rotinas, medos, receios, dores e descobertas. Foi como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo, e o normal já não cabia mais, a forma de viver precisou ser mudada urgentemente.

Foi necessária uma pandemia para que os hábitos pudessem ser repensados, e para que a empatia aflorasse na sociedade. Uma doença respiratória, a qual todos estão sujeitos a pegar e que pode ser fatal. Claro, há grupos em que ela é ainda mais perigosa, seja por idade ou outras doenças prévias. Os avisos foram dados, e as precauções se iniciaram, porém, ninguém estava imune.


Logo começou-se a ver seus efeitos: a falta de ar, a entubação, a internação, a angústia do isolamento e as dores da perda. E desde que a pandemia chegou no país, milhares de pessoas lidam diariamente com o vírus, tentando salvar vidas com o que tem e como podem.


Porém, no meio do caos e da insegurança, há histórias de superação, de uma luz no fim do túnel. Histórias de pessoas que tiveram seus piores momentos em um hospital, a mercê do coronavírus e lutando com suas próprias forças para seguir em frente. Esse foi o caso de Luciano Smalti.


Aos 29 anos, Luciano, autista, começou a apresentar sintomas da doença. Naquele momento, o medo entre os familiares se espalhou, pois suas comorbidades seriam um problema caso positivasse, e foi o que ocorreu. Internado em um quarto, o quadro evoluiu rapidamente, e em cinco dias, precisou ir para a UTI e ser entubado. Um procedimento extremamente invasivo e doloroso, em que a maior parte do tempo precisou ficar sedado.


As acompanhantes não poderiam mais ficar com ele, e a sensação de impotência tomou conta. As únicas notícias que chegavam eram as que os médicos passavam, uma vez por dia apenas. Eram realizadas vídeo chamadas com a psicóloga, onde via-se seu estado debilitado, rosto cansado, marcado, as vezes virado de barriga para baixo, tudo para que Luciano pudesse melhorar.


Foi então com sua força de vontade e os cuidados médicos que recebia, que em alguns dias o tubo foi retirado. Porém a luta não acabou ali. Luciano foi contaminado com uma bactéria que estava presente na urina e no sangue, e também começou a ter diversas convulsões. Dessa vez, os acompanhantes puderam ficar ao seu lado.


A junção de apoio, de cuidados médicos, da própria força de vontade, amor da família e a atenção da equipe médica foram os responsáveis por sua melhora. Depois de alguns dias na UTI, finalmente Luciano voltou para o quarto. De lá, sua recuperação foi ainda mais rápida. A vontade de se mexer, de viver, se manifestou nele, e logo a cama não era mais onde ele queria ficar.


Em pouco tempo, recebeu alta. No dia 11/03, após 38 dias de luta, Luciano Smalti mostrou-se um guerreiro e saiu do hospital. O alívio tomou conta de todos, assim como o orgulho. Orgulho de um jovem que apesar de todas as probabilidades, mostrou-se forte, mostrou sua garra para viver, e que superou um momento difícil.


Hoje, Luciano está em casa, recuperando-se e voltando para sua vida normal. Alguns quilos foram perdidos e seu corpo ainda está fragilizado, mas se existe uma coisa que o jovem nos ensinou, foi que nada vai pará-lo e que ele ainda tem muito tempo pela frente. Uma superação, e uma luz no fim do túnel em meio a tanta escuridão.


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