• Maria Antônia Nery

TRÊS VIDAS PELA MÚSICA

Uma vida sem música não é uma vida divertida. Tudo fica mais intenso e interessante quando uma melodia encontra os nossos ouvidos, e com ela, nós sentimos e nos expressamos.

Banda Dall no palco. Foto por Guilherme Beck.

Há quem tenha escolhido trilhar o caminho do mundo musical sozinho, e há quem tenha encontrado suas "almas gêmeas", onde a melodia e a letra se encaixam perfeitamente, e a sinergia entre essas pessoas cria bandas, as quais amamos e que nos identificamos, seja ela de onde for.


Porém, não é fácil encontrar uma pessoa que você se dê tão bem, e que os estilos batam de forma harmoniosa, a ponto de criar uma banda. Conversamos com os jovens da banda portoalegrense Dall, para contar um pouco das suas inspirações e da sua trajetória, afinal, não é todo dia que uma banda, que se dê bem, surge.


E: Como vocês se conheceram?

R: Nos conhecemos pelo Facebook, em 2017.

Existem alguns grupos de músicos e bandas por lá. Eu (Rodolfo) coloquei um anúncio que estava procurando por músicos para compor o projeto Dall e, então, o Pedro e o Neni apareceram.


E: Como a Dall começou? De quem foi a iniciativa?

R: A Dall começou como uma iniciativa minha. Antes mesmo do Neni e do Pedro entrarem, já havia algumas músicas prontas. Por isso, nossas primeiras músicas são todas minhas , e cantadas por mim. Com o tempo, a Dall passou a ter um caráter mais coletivo.


E: O que a música significa e representa pra vocês?

Rodolfo: "Acho que significa o motivo da nossa existência. Sem a música nada do que fazemos teria sentido"

Neni: "Significa uma transmissão de sentimentos, de nós, para quem nos ouve. Representa aquilo que sinto decodificado em notas, acordes e ritmos, buscando a empatia e a conexão entre as almas"


E: Qual estilo vocês mais curtem tocar?

R: Vish, pergunta dificílima! (risos) Costumamos dizer que temos muitas influências e, que nosso conceito artístico passa justamente nesse ponto: procuramos misturar muitas ideias e gêneros, e fazer disso uma coisa única. Porém, dá pra dizer que o Pedro é mais influenciado pelo rock e metal (clássico e alternativo), o Neni, pelo pop rock e reggae, e o Rodolfo por gêneros mais groovados como soul, funk e jazz. Já nos disseram que a mistura, principalmente , dessas três vertentes fica bem visível em nosso trabalho.


E: Quais as maiores inspirações de vocês?

R: Outra pergunta difícil (risos) como dito anteriormente, costumamos ter muitas influências, e não temos preconceito com gêneros musicais e artistas dos mais diversos calibres. São muitas inspirações.

Mas, de artistas e bandas que nos atingem de forma mais direta, podemos destacar O Rappa e a banda BRAZA.


E: O clipe de “Três Vidas” passa uma sensação muito intimista, como foi a criação do conceito?

R: Essa é uma boa história. Em um belo dia (risos), o Rodolfo mostrou para a banda uma música que compôs quando tinha por volta de 16 anos. Pra nossa surpresa, o Pedro também tinha uma composição guardada, que fez na mesma época, e que lhe era muito querida.

Foi então, que o Neni teve a ideia do Três Vidas: três músicas, a primeira falando sobre uma moça (a do Rodolfo, que se chama Sobre Viver), a segunda falando sobre um cara (a do Pedro, que se chama Aurora Modulante) e uma terceira música, que celebraria essa união, e que ele comporia (que se chama Ser(es) Completos).

Essa história toda seria contada em três videoclipes, que juntos formam um curta-metragem. Esse foi nosso grande projeto de 2020, que vínhamos planejando desde 2019.


E: E da letra?

R: Quando o Neni deu a ideia do projeto Três Vidas, foi justamente baseado nas letras das outras duas músicas, que já estavam prontas há anos (risos). Então, somente a letra Ser(es) Completos foi composta pensando no projeto.

Talvez dê pra dizer que foi coincidência, que as músicas do Rodolfo e do Pedro tivessem um tema semelhante. Mas o que aconteceu, foi que tentamos encontrar uma similaridade e continuidade entre elas.


E: Como funciona o processo criativo de vocês?

R: Olha, acho que ainda estamos descobrindo (risos). Mas até agora, o que acontece é que um de nós traz um “rascunho” para o ensaio. Em cima desse rascunho, vamos arranjando a música, cada um dando seus pitacos, pra, depois de “pronta”, gravarmos no estúdio do Neni (HX Produtora).

Porém, durante a gravação também vamos acrescentando e tirando elementos, pois entendemos que uma coisa é a música gravada em estúdio, para um fonograma, outra coisa é ela ao vivo. Tanto que ao vivo costumamos fazer arranjos diferentes das músicas, elas não ficam iguais a quando você as ouve no Spotify ou no YouTube. São ambientes diferentes e cada um merece seu melhor arranjo.


E: Nessa pandemia, como vocês tem conciliado a música com a vida?

R: Ainda estamos aprendendo (risos). Quando a pandemia veio, tínhamos todo o lançamento do Três Vidas planejado. Inclusive com previsão de shows.

Nós conversamos e decidimos adiar, até a quantidade de casos diminuir. Como não diminuiu, resolvemos lançar, só acabou saindo mais tarde do planejado. Nesse meio tempo, pra permanecermos ativos, inventamos um monte de projetos pra Dall continuar aparecendo enquanto marca e banda. Foram coisas como o projeto #DallEmCasa, que, além de lives no Instagram (algo que era mais inédito na época (risos)), o Pedro fez uma série de artes. A mais votada a gente fez uma camiseta e vendeu como merchan. Todo o dinheiro arrecadado nós doamos para os hospitais de campanha da recém anunciada pandemia da COVID-19. Também inventamos umas entrevistas no Instagram (algo que também era meio novidade na época hahahaha), lançamos um remix, enfim... Fizemos de tudo pra continuar na mídia.


E: Do que vocês mais têm sentido falta devido a pandemia?

R: Dos shows, com certeza.


E: Quais os maiores sonhos de vocês como banda? E o maior orgulho até agora?

R: Não temos uma meta objetiva, como tocar em tal lugar, atingir tais números, etc. A meta é chegar o mais longe possível. Atingir, positivamente, o maior número de pessoas possível e, conseguir viver (bem) só disso.

O maior orgulho acredito que seja o projeto Três Vidas, que foi o mais complexo que fizemos até agora. Porém, em breve terão outros hehe (resposta do Rodolfo).


E: Uma música que define a trajetória de vocês como banda, e uma pessoal de cada um?

Acreditamos que a música Renascer tenha uma importância na nossa trajetória, pois ela foi a primeira que fizemos em conjunto, e a letra trata justamente disso.

Eu, Rodolfo, gosto muito de Aurora Modulante. Acho linda hehe.

Eu, Neni, gosto do groove da Despertar 2, que a gente tem uma versão ao vivo que foi muito boa de gravar.

Foto por Fabiana Maia

A Dall tem cerca de 155 mil streamings no Spotify, e se você quiser acompanhar mais destes 3 ,que tem muito pela frente, siga-os no Instagram @dallmusica.

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