MONSIEUR MENEGAT

por Gabriela Marcon


Desde criança, a música é sua fascinação. Na infância em Nova Roma do Sul, ele assistia seu avô tocando gaita, e seu pai, que era um exímio marceneiro, no bombardino. Aos 82 anos de idade, Monsieur Menegat, como foi educadamente e, mais do que isso, apropriadamente chamado, certa vez, em Paris, deixa transparecer o brilho no olhar ao conversar sobre suas “façanhas” - como ele mesmo se refere - ligadas à trajetória do grupo Itamone, que ele fundou juntamente com amigos em 1960.


A facilidade em decorar canções apenas ouvindo-as fez Seu Edwino Menegat abraçar a música, para não mais largá-la. Ele chegou a fazer faculdade de Direito e iniciou uma carreira de bancário, mas deixou tudo isso para trás, pois sendo um artista nato precisava se dedicar àquilo que fazia seu coração vibrar. “Está na veia. É um dom. E dom é Deus quem dá”, afirma. Nos anos dourados, a riqueza, a harmonia e a criatividade musical que ressoavam da bossa nova o inspiraram (e ainda inspiram), admirador confesso que é do mestre e maestro Tom Jobim.


O diretor da revista MChic, Maikel Mello, me acompanhou neste prazeroso bate-papo que tive com Monsieur Menegat, seu amigo de longa data. E fomos, literalmente, tocados não apenas pelas suas histórias, mas também pela beleza do som que vem das teclas de marfim de seu piano - um modelo original August Förster fabricado na Alemanha no final do século 19 e adquirido por ele, em Porto Alegre, na metade da década de 70. Estudioso de piano clássico desde os 12 anos de idade, sentimos o privilégio que é vê-lo tocar “Fascinação”, imortalizada na voz da estrela Elis Regina. Como não poderia deixar de ser, o artista se emociona ao falar de seu valioso instrumento: “Representa a minha vida. É uma forma de viver. Se estou triste, sento no meu piano e tudo passa”.


Fotos: Maiki Castilhos e Acervo pessoal


Mesmo com a habilidade para dedilhar canções eruditas, Seu Edwino lembra de forma descontraída que, à época de sua adolescência, “ninguém dava muita bola para esse talento”, então ele acabou “caindo no popular”. Era um novo mundo que se abria, quando o Itamone surgiu a partir de despretensiosos ensaios de um grupo de amigos no Clube Juvenil, em Caxias do Sul. Ao lado da banda, foram incontáveis shows e muitas aventuras, rodando por toda a Região Sul do País e, em diversas oportunidades, pelos bailes mais sofisticados do Rio de Janeiro, em sua época mais glamourosa. Na cidade que era, de fato, maravilhosa, ele conta que frequentava “a mansão” dos músicos d’Os Incríveis. No início da década de 80, assistiu a um show da dupla Simon & Garfunkel no Central Park, em Nova York e, quando esteve em Washington, D.C. na companhia de amigos e saíram para comer a tradicional pizza americana, uma voz em especial, naquele ambiente, lhe chamou atenção. Era o famoso cantor e compositor norte-americano Willie Nelson que se apresentava na pizzaria.


Além de compor a trilha sonora de bailes no Brasil, o Itamone também marcou presença em festas sofisticadas de clubes no Uruguai, Paraguai e na Argentina. O selecionado repertório sempre conquistou o público - recheado de clássicos do ABBA, Pink Floyd, The Who, dos Bee Gees, Beatles, Rolling Stones, de Gloria Gaynor, Donna Summer, Elvis Presley, Emerson, Lake & Palmer, Rick Wakeman, e por aí vai...Mas o sucesso da banda também está diretamente relacionado à qualidade do som nas apresentações, uma preocupação constante de Seu Edwino, que nunca mediu esforços em pesquisar e adquirir os melhores equipamentos. Nesta incansável e obstinada busca atrás da sonoridade perfeita, ele dirigia a bordo de seu Karmann-ghia até São Paulo para ver de perto o que havia em termos de novidades em instrumentos e equipamentos. Nas viagens que fez à Europa, além de passear, o roteiro incluía garimpar lançamentos em som, como fez, na década de 90, ao circular durante quatro dias pela gigante Musikmesse – uma das maiores feiras de música do mundo, realizada em Frankfurt, na Alemanha.


A música trouxe à tona o talento de Monsieur Menegat. “A música é a maior expressão do sentimento humano”, define. Ela o levou a descobrir seu verdadeiro território, no qual sua alma de artista vive, pensa e se reinventa. No desfecho deste ensaio, saí de seu apartamento perfumada de Azzaro - que ele fez questão de borrifar no meu pulso para comprovar que é seu único perfume, desde os anos 70. O aroma o agradou quando encontrou-se com o ator, cantor e compositor Moacyr Franco, então adepto da marca, em um dos tantos bailes de sua vida.

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