JE T'AIME BIRKIN

É bem provável que você já tenha ouvido a canção “Je t’aime, moi non plus” (“Eu te amo, eu mais ainda”) nas vozes sensuais do cantor e compositor francês Serge Gainsbourg e da atriz, cantora e musa eterna, a inglesa Jane Birkin. Tão icônico quanto foi o romance do casal - perdidamente apaixonado durante a década de 70 - é um dos produtos mais cobiçados do mercado fashion: a bolsa Birkin, fabricada manualmente há 35 anos pela grife francesa Hermès. Foi Jane quem a desenhou, a criou e a tornou emblemática a ponto de ser considerada a bolsa mais difícil de se ter acesso, não pelo valor monetário, mas por não ser vendida para qualquer consumidor. Isso porque não é você quem escolhe uma Birkin para chamar de sua. É a Hermès quem escolhe você (ou não) para usar uma Birkin.


Fotos: Edward Black e Fabiana Delcanton

Ela sempre está na lista das 10 bolsas mais valiosas e exclusivas do mundo. Além de ser um acessório clássico de luxo – feito apenas com couros nobres e acabamentos em ouro 18k, a Birkin é vista como um investimento. Em 2019, só para você ter uma ideia, um modelo raro de uma coleção desenvolvida pelo estilista Jean Paul Gaultier atingiu novo recorde mundial em um leilão da Christie’s, realizado em Hong Kong. A bolsa foi vendida por US$208 mil, cerca de R$900 mil. Extravagância? Exagero? Absurdo? Não para quem, de fato, deseja e merece ter uma. É uma questão muito mais de mérito do que de poder aquisitivo, como comprovou o modelo, influenciador digital e fashionista Israel Cassol, hoje reconhecido como Birkin Boy.


Fonte para uma reportagem do tablóide inglês Daily Mail pelo seu estilo de vida, sua autenticidade e, claro, suas notáveis seis versões da Birkin, Israel chamou atenção por ser o homem que tem a maior coleção de Hermès do Reino Unido. Ao todo, são 13 bolsas, incluindo Birkin, Hac, Kelly e Constance, todas singulares e caríssimas. Aos 18 anos, quando já era modelo e ator em Caxias do Sul, Israel decidiu seguir carreira na Europa, primeiramente em Milão, depois em Londres, onde reside há 14 dos 20 anos que está fora do Brasil. De passagem pela terra natal para rever a família e os amigos, o carismático Garoto Birkin abriu espaço na concorrida agenda para algo que ele também ama: um bate-papo! Esse não tem preço!


Fotos: Edward Black e Fabiana Delcanton

QUANDO VOCÊ DESPERTOU PARA A CARREIRA DE MODELO?


Acho que foi ainda na infância, porque eu forrava as paredes do meu quarto com fotografias de modelos masculinos. Todas as manhãs, quando acordava, olhava para aquelas fotos e dizia para mim mesmo que um dia eu seria um deles. Desde criança, sonhava em ser artista, modelo, apresentador de TV. Lembro de um aniversário que pedi um microfone de presente ao meu pai. Sofri bullyingna escola por ser diferente dos outros meninos. Me chamavam de tudo o que você imagina, porque eu brincava muito de desfilar com as meninas. Uma professora chegou a falar para minha mãe que eu precisava de uma psicóloga. Minha mãe olhou para ela e disse: “Não vou levar meu filho na psicóloga. Essa é a condição dele. Ele nasceu assim”. Olha que mãe maravilhosa tenho! Mas comecei minha carreira de modelo em Caxias do Sul, passando por uma agência de Porto Alegre e, de lá, fui para Milão. Antes de sair do Brasil recebi muitos nãos, talvez por ter um perfil diferente. Isso foi no auge da Gisele Bündchen, então os modelos brasileiros estavam em evidência na Europa.


COMO FOI COMEÇAR NA EUROPA?


Eu tinha contrato de três meses com a agência de Milão. Muitas vezes, os modelos vão para lá, fazem vários castings e nada acontece. Se você não consegue serviço não pode ficar no país. Arranjei um trabalho em um showroom da grife Frankie Morello e o booker (profissional que agencia modelos) gostava muito de mim. Minha beleza nunca foi a mais extraordinária. Nunca me achei bonito. Acredito que minha personalidade me levou a ter destaque neste mercado. Quando meu contrato terminou, a agência me mandou embora. Com o dinheiro que havia economizado, voltei e fiquei um tempo em Caxias, até o dia em que fui convidado a participar da Semana da Moda de Milão. O boom aconteceu quando conheci o fotógrafo italiano Jean Paul Barbieri, reconhecido como um dos melhores do mundo. Ele fez um editorial comigo e as imagens ficaram lindas! O fato das pessoas do meio conhecerem o Jean Paul impulsionou minha carreira. Depois participei de duas edições da Feira de Milão (2004 e 2005), desfilando para pequenas marcas daquela região. Tenho um carinho enorme por Milão. Foi a cidade que me abriu as portas.


Fotos: Edward Black e Fabiana Delcanton

COMO VOCÊ INGRESSOU NO SELETO UNIVERSO BIRKIN?


Estava procurando uma bolsa para viajar, mas um modelo que chamasse atenção para mim, não para os outros. Me visto para mim. Hoje estou de calça, amanhã posso estar de saia e depois de amanhã com um lenço no pescoço. Meu estilo é minha identidade. Na busca na internet vi imagens da Birkin. Nem sabia da história da bolsa e, muito menos, de como funcionava todo esse universo. Ingenuamente, fui na loja da Hermès em Londres pensando que seria fácil comprá-la. A vendedora me pediu desculpas por não ter a bolsa. Como sou persistente, fui a outras lojas, em vários países, na tentativa de conseguir minha Birkin. Em Milão, comentei com um amigo que estava atrás da bolsa e ele tinha um contato na Hermès de lá, o que facilitou o acesso. Bom, cheguei na loja dando detalhes sobre o modelo que queria, incluindo o tamanho, a cor, os detalhes em ouro e ainda falei que adorava a história da criação da bolsa pela Jane. No meio da conversa, percebi que estava começando a ganhar a confiança da vendedora. É uma grife que tem uma atenção muito delicada em relação ao perfil do consumidor, porque existem pessoas que compram a Birkin para revender por um preço ainda mais alto. E a Hermès odeia isso! Então a vendedora me disse que ia verificar se tinha alguma disponível. Estava sentado, tomando um café, quando vejo ela caminhando na minha direção com uma caixa grande, laranja, maravilhosa. Eu tremi. A vendedora colocou uma luva para retirá-la da embalagem. Era para ser minha! Preta, com detalhes em ouro amarelo 18k, exatamente do jeito que imaginava. Paguei 7.900, o equivalente a R$37 mil. Tive de ser muito determinado para adquirir uma Birkin. Aliás, na minha cabeça não existe derrota.


A BIRKIN PROJETOU TEU NOME?


Na primeira postagem que fiz no Instagram com a bolsa recebi 450 curtidas. Depois, começaram as hashtags, também por conta da repercussão da matéria do Daily Mail. Isso ocorreu de forma orgânica e me dei conta de que poderia ser influenciador digital. Depois que apareci com a Birkin na Hermès de Londres, a vendedora que havia me atendido da primeira vez passou a me oferecer outros modelos da marca, como a Hac, que também é muito difícil de comprar. Além disso, fui escolhido para criar junto à grife uma Special Order, que apenas clientes genuínos têm. Com o tempo, passei a ser convidado para eventos da Hermès na Inglaterra. Também percebi que não é verdade quando a loja diz que não tem a bolsa para vender. Acontece que é o vendedor quem escolhe o cliente que vai comprá-la. Existe, sim, uma lista de espera para ter uma Birkin que pode demorar até cinco anos. Cada modelo é feito à mão, leva 48 horas para ficar pronto, vem com um número de série e as iniciais do nome do artesão que a fabricou. Se for preciso fazer algum reparo, a marca já sabe de quem é a autoria. As pessoas me criticam, me chamam de fútil, mas cada um tem direito de gastar seu dinheiro como quer. Muitos homens compram relógios, carros e motos bem caros. Eu compro bolsas de luxo porque sou apaixonado por elas. E apesar de usar Hermès sou uma pessoa com os pés no chão. Não me considero melhor do que ninguém por conta disso.


Fotos: Edward Black e Fabiana Delcanton

E O TRABALHO COMO INFLUENCIADOR DIGITAL?


Você precisa estar preparado fisicamente, mentalmente, emocionalmente e, também, financeiramente para ser digital influencer. A gente acaba investindo muito no visual, nos eventos que frequentemos, nas fotos que temos de produzir. No ano passado, fui convidado para participar do Fashion Awards, que destaca pessoas e empresas britânicas da indústria da moda. Para estar neste evento, que é muito exclusivo, a joalheria Cartier fabricou um broche de diamantes para eu usar, avaliado em £50 mil, cerca de R$284 mil. Então é um trabalho que me deixa muito feliz, mas não me interesso pela fama. Sou grato aos jornalistas, bookers e à minha família pelo apoio que recebi durante todos esses anos. Agora, uma coisa que me entristece no mundo digital é saber que a maioria dos meus seguidores no Instagram é desconhecida. Não por serem anônimos, até porque agradeço a todos que interagem comigo. Quero dizer que percebo que aqueles que já tem uma projeção na mídia não expõem a admiração ou não prestigiam de alguma forma o outro que também está em evidência. Não curtem, não comentam, nada. Sei que essas pessoas acessam meu perfil, observam meus movimentos. O ser humano não sabe lidar com o sucesso do outro. Aplaudo todos que gosto e continuo sendo o mesmo Israel que saiu do Brasil 20 anos atrás. Se você é arrogante não chega a lugar nenhum. É preciso ser humilde.

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