• Maria Antônia Nery

VIDA DE INFLUENCER


As redes sociais trouxeram a tona uma nova profissão que cresce cada dia mais. Os influenciadores agora se tornaram extremamente importantes na internet, capazes de lançar tendências, bombar produtos novos e conquistar milhares de fãs ao redor do mundo. Mas apesar do que pensam, não é um trabalho fácil e envolve muito estudo e perseverança.


A influencer digital de Caxias do Sul, Gabriela Baccin, que já realizou trabalhos em Paris, Londres, além de trabalhos nacionais no norte do país, conta um pouco como é a vida de influenciadora digital.

Reprodução/Instagram: https://www.instagram.com/gabrielabaccin/

E: Como você entrou na vida de influencer? Como tudo começou?

G: Eu sou formada em psicologia pela UCS, me formei em setembro de 2016 e atuei um tempo como psicóloga, mais ou menos por um ano, só que infelizmente acabei me frustrando um pouco porque não consegui colocar em prática as coisas da maneira que aprendi na faculdade. Então acabei saindo do local onde eu trabalhava, era uma casa de acolhimento (abrigo) de crianças e adolescentes, e ficando só com o consultório, mas só o consultório não era o suficiente para a minha renda, então eu busquei uma outra alternativa, que foi começar a vender roupas. Criei um Instagram, fiz uma loja on-line e comecei a vender peças de marcas de atacado. Fazias as fotos e publicava tanto no meu perfil pessoal como no da loja.


Só que aconteceu que as marcas de atacado gostaram das fotos e começaram a querer usar, então as primeiras negociações foram que eu pegasse consignado, não precisava mais comprar as peças para vender... Aí as fotos foram dando uma repercussão grande, e eu que sempre amei fotografar desde pequena fiquei realizada com isso. Na verdade desde que eu criei o Instagram eu sempre priorizei ter um feed bem apresentável, então conforme foram usando as imagens, as marcas foram me pagando em peças por essas fotos, e eu vendia essas peças. E assim cada vez mais marcas foram vendo esse meu trabalho e se interessando por ele também.


Nisso foram aparecendo parcerias de salão de beleza, de estética, de parceiros pra aparecerem nas marcações dessas imagens (porque até então eu trabalhava só com fotos).


A partir disso começou o incentivo das amigas que diziam “Gabi, mas tu tens que começar a fazer vídeo falando também, tu ias te dar muito bem nessa profissão”. E eu sempre com resistência continuava como psicóloga, temia um pouco dessa exposição... Mas fui cedendo e foi aumentando cada vez mais a quantidade de trabalhos com lojas e quando vi já estava com uma exposição bem grande nas redes sociais, uma visibilidade maior e poucos pacientes no consultório. Na hora de renovar meu cadastro como psicóloga eu optei por não renovar e permanecer só com essa minha nova profissão.


E foi crescendo, cada vez mais tomando uma proporção maior, aparecendo novos parceiros, até que eu também comecei a estudar sobre o assunto, tive contato com o marketing digital, comecei a estudar, fazer cursos e percebi que o que eu estava fazendo, era uma profissão, e por mais que eu mesma tivesse alguns preconceitos e alguns receios de trabalhar com isso, eu acabei entrando nesse mundo naturalmente. Sem pretensão, mas felizmente deu muito certo. Na época não tinha muita gente que trabalhava com isso, vai fazer uns três anos, então o crescimento foi orgânico.


A minha entrada nesse mundo também foi naturalmente, comecei a me profissionalizar cada vez mais, através de mídia kit... As marcas/empresas que sempre entram em contato comigo, nunca precisei buscar pessoas para fazer essas parcerias em função da visibilidade rápida que meu trabalho foi tomando.

E: Como é viver nela hoje em dia?

G: É uma profissão que me faz muito feliz, existem ainda, infelizmente, alguns preconceitos, mas são muito pequenos comparados ao reconhecimento das pessoas, então é algo que me traz muita realização profissional, pessoal, muito retorno financeiro também. Eu sou muito satisfeita com meu trabalho e não trocaria ele por nada, ele também me permite trabalhar em qualquer lugar do país e até do mundo. Gosto muito de ter essa liberdade de poder trabalhar onde eu quiser e como eu quiser.

E: O que você mais gosta na profissão?

G: É essa liberdade e estar fazendo o que eu mais amo, que sempre foi fotografar. Mas hoje eu gosto muito desse contato que eu tenho próximo com o público, desse reconhecimento. Fazer a diferença na vida ou no dia de alguém também é uma das minhas partes favoritas, senão a mais.

E: Quem são as suas principais inspirações?

G: Eu tenho, em primeiro lugar, inspirações de vida, com certeza entre elas estão meus pais, mas o meu namorido hoje é um grande exemplo de caráter, determinação e força pra mim. Ele me dá muita força para trabalhar hoje com o que eu faço.


E inspirações da da minha área (relacionadas a moda) e influenciadoras que eu gosto e acompanho... não tenho uma só não, são várias, desde amigas até as que eu não conheço ou não tenho referência, mas que simplesmente aparecem nas redes, eu gosto do conteúdo, me identifico e passo a me inspirar nelas também... Mas não tem uma única pessoa não.

E: Como você cria os seus looks icônicos? Tem alguma inspiração por trás?

G: Eu me baseio um pouco nessas inspirações que eu vejo e gosto e acho que vou muito pelo “feeling”, pelo que eu “sinto” que vai ficar bonito, não tem uma regra. Eu sempre tive essa sensibilidade (acho que eu posso chamar assim), para escolher as roupas para mim e para as pessoas próximas de mim. Sempre gostei disso, acho que está no meu sangue mesmo.


E sobre as inspirações de looks, eu acho que as redes sociais me trazem as maiores influências/referências, diariamente.

E: Qual é a sua parte favorita do trabalho?

G; O reconhecimento das pessoas, fazer a diferença na vida de alguém e poder trabalhar com o que eu amo.

E: Apesar do que muitas pessoas pensam, ser influencer exige estudo. Como você realiza o seu?

G: Ah a gente está diariamente se atualizando, pesquisando, lendo, eu já fiz vários cursos on-line e presenciais também, e a minha graduação em psicologia (embora as pessoas não imaginem) faz total diferença no meu trabalho. Aprendemos a ter mais empatia, mais ética, se colocar no lugar do outro quando a gente vai fazer qualquer trabalho, qualquer colocação, o cuidado com as palavras, a forma como se comunicar com as pessoas, então acho que é um constante aperfeiçoamento, ao contrário do que muitas pessoas pensam.

E: Qual seria o seu maior sonho a ser realizado na profissão?

G: Já realizei muitos, na verdade nem eram sonhos, mas foram conquistas que me surpreenderam, eu não só conquistei alguns objetivos como ultrapassei eles, por exemplo: poder viajar a trabalho, levar marcas para viagens internacionais, me prospectar nacionalmente, atingir marcas nacionais. Grande parte disso felizmente já alcancei! Consegui trabalhar também em outros lugares do país, que esse ainda é um dos meus maiores objetivos... Eu não chamaria de sonho, mas de um objetivo alcançável! Até porque eu já alcancei parte dele.


Sonho mesmo acho que seria uma prospecção internacional, ser reconhecida internacionalmente, mas antes: expandir mais nacionalmente.

E: Qual a sua parte menos favorita ou mais exaustiva como influencer?

G: Com certeza é o fato de que eu trabalho 24 horas por dia praticamente, coloco muito esforço físico quanto mental no que entrego. Desde o momento em que eu acordo até o momento em que eu vou dormir estou alimentando com conteúdo, com rotina, mantendo contato com as pessoas, respondendo seguidores... É bem exaustivo nesse ponto, mas é muito bom também, é muito gratificante.


E sobre dificuldades do trabalho eu tenho lidado bem... tenho aprendido bastante a lidar é com o julgamento. O que ocorre é que normalmente isso parte de pessoas que nem me acompanham (porque as que me acompanham sabem da minha essência), essa minoria que não me conhece ou não me acompanha as vezes julga pelo feed, pela aparência, imaginam que a minha vida é perfeita, glamurosa... O que a gente sabe que não é verdade. Ninguém tem uma vida assim, muito menos as influenciadoras, embora seja o que aparece/transparece muitas vezes... A realidade é que é muito perrengue e dedicação. Mas eu procuro trazer essa realidade para dentro das minhas redes (na medida do possível claro, sem precisar expor a minha família, a minha intimidade), procuro fazer com que as pessoas que me assistem se sintam próximas, que o público se sinta acolhido por mim.



Reprodução/Instagram: https://www.instagram.com/gabrielabaccin/

Entrevista transcrita de áudios.

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