• Maria Antônia Nery

OS CAMINHOS DA ARTE

A arte está presente todos dias e horas de nossa vida. Quanto pensamos nela, geralmente associamos a pinturas, mas, a arte é muito mais do que isso, é a música, os livros, a decoração, as roupas, a fotografia, e há até quem considere outras pessoas arte.

Trecho do clipe "Ponto de Vista" da banda Teto Raso onde Vicky foi diretora de arte.

Quem escolhe trilhar esse caminho, enfrenta algumas dificuldades, como a desvalorização do trabalho, mas são eles os responsáveis por nos tornarmos mais humanos e sermos capazes de apreciar a beleza do mundo em que vivemos.


Para contar um pouco de sua história, convidamos Vicky Guella, formada em tecnologia audiovisual pela PUCRS, e responsável pela direção de arte e maquiagem do clipe "Ponto de Vista" da banda portoalegrense Teto Raso.


E: Quando começou a sua paixão pela arte?

V: No terceiro ano eu fiz um teste vocacional e um dos resultados foi artes cênicas, então comecei a fazer aulas de teatro, e notei que a parte que eu gostava era quando os professores traziam os figurinos e podíamos montar o personagem. Nesse mesmo período, teve um dia que eu estava deitada na minha cama sem nada pra fazer, então decidi mexer no app do YouTube (pela primeira vez! Risos) e apareceu um vídeo de maquiagem artística. Aquilo me encantou, a forma como uma pessoa podia mudar tanto só pintando o rosto. Aí depois de assistir vários vídeos, comecei a tentar me maquiar, e foi evoluindo para os figurinos e cenário.


E: De onde você tira as suas inspirações para projetos?

V: De filmes, série, desenhos, pinturas, estátuas... o que der o "gatilho" para começar a desenhar um cenário ou criar um figurino. Eu uso muito o Pinterest e o Google, utilizando alguma palavra chave para achar essas imagens.


E: Existe alguma temática que você mais gosta de trabalhar?

V: Eu adoro trabalhar com fantasias, porque é onde tu pode soltar a criatividade, a equipe cria um mundo colorido ou não, com caracterizações desenhadas para cada cena sem se preocupar se elas eram realmente assim no passado ou no futuro. A única preocupação é se manter fiel ao mundo criado, se não, acaba em uma "mistureba" sem uma unidade ou sintonia.


E: Qual a sua área favorita de atuação?

V: Caracterização, eu amo desenhar/criar um personagem com os atores e o diretor. Abrir uma mala cheia de figurinos, fazer prova de maquiagem, e ir montando o quebra-cabeças que é cada personagem. Adoro trabalhar com cenários também, mas eu amo a Caracterização.


E: Como foi a sua jornada até chegar onde está hoje?

V: Antes de entrar na faculdade de cinema, o teatro e as maquiagens eram só para diversão, e ajudar a menina tímida no fundo da sala a se comunicar. Aí quando eu entrei na faculdade, no primeiro semestre a turma foi dividida em grupos e cada grupo faria dois curtas, e nos dois fiquei como assistente de arte. No meio do semestre uma colega me disse para tentar ser a diretora de arte, porque eu tinha jeito para isso, então no meio do ano um amigo, colega, Rafael Mog ia fazer um curta e me chamou para a direção de arte. Depois desse curta eu ganhei o apelido de "louca da arte", por não parar no set e fazer três coisas ao mesmo tempo. Após este curta, eu não aprendi a lição, e não briguei pela direção de arte de um curta do terceiro semestre, fiquei de assistente...


Uma semana antes da gravação do curta, a diretora de arte sai da faculdade e eu assumo a direção do zero, pois houveram muitas brigas naquele semestre, mas deu tudo certo no final (Animais é o nome do curta). No quarto semestre, meu grupo fez um curta "medieval" tipo GoT, e por ser universitário, não tínhamos como pagar pelos figurinos, então comprei uma máquina de costura e foi assistindo vídeos no YouTube que "aprendi" a costurar. Nesse mesmo curta eu decidi fazer uma armadura de cota de malha e, nunca me arrependi tanto na vida, porque foi muito trabalhoso! Nós éramos em dez fazendo argolas de arame e juntando essas argolas, fazíamos mutirão das argolas movidos a inde e totozinho (risos), A Cobra e o Touro era o nome do curta.


No quinto semestre, fizemos o longa "Chacais" em três dias como o nosso TCC, esse foi um dos meus trabalhos favoritos, porque mesmo com todo o estresse de um trabalho de conclusão de curso, foi divertido! Saímos com muitas histórias, que renderiam outro longa. Depois do Chacais outro trabalho importante foi o curta "Doce da tua língua", que já passou em mais de quinze festivais, mas como nenhum trabalho pode ser tranquilo, eu tive uma infecção no rim uma semana antes da gravação. Não conseguia nem levantar da cama nos primeiros dias. No dia da montagem do cenário eu acordei um pouco melhor, e consegui ir para a locação depois do almoço e ajudar na montagem.


Durante a montagem do cenário, o diretor e roteirista do curta me convidou para fazer o clipe da banda "Teto Raso", como diretora de arte. Três meses antes da gravação do clipe, brincando com minha cadela eu quebro o tornozelo. Tinha dois curtas que faria a maquiagem nesse período, e tive que cancelar, porque a fratura foi feia, precisei fazer cirurgia, colocar placa e parafuso. Na montagem do cenário e no dia do clipe, eu estava com a bota ortopédica, e as minhas assistentes me mandando parar quieta um pouco, no final do dia eu não aguentava de dor no pé, mas pelo menos o clipe ficou lindo.


E agora estou na direção de arte do longa "As perdidas", mas como estamos só no começo da pré-produção, não temos nada muito definido ainda, mas eu já acho q vai ficar lindo (risos).


E: Qual o seu maior sonho na carreira?

V: Conseguir participar da arte de filmes como Senhor dos Anéis, Harry Potter, Vingadores...


E: Você tem algum trabalho favorito ou que se orgulha muito de ter feito? Qual seria?

V: O longa Chacais, pelo que ele representa na minha trajetória, e o vídeo clipe porque ele está lindo, profissional, e eu não acredito que fui eu quem fiz (risos).


E: Como é o seu processo de criação e de produção?

V: Na criação de personagens eu gosto de ler o roteiro, para saber a trajetória do personagem, e a fixa que o ator ou atriz fazem, para que eu entenda o indivíduo. Então coloco meus fones de ouvido e começo a pesquisar no Google e Pinterest as palavras chaves que dei para cada personagem.


Na montagem de cenário eu vou na locação e vejo o que já tem no local, aí começa o arrasta móvel de cá, levanta móvel pra lá, e no fim, eu e a equipe listamos o que falta. Também falo com a foto para saber que partes vão aparecer e as que não vão, se tem algum pedido especial do diretor ou do produtor. Depois de criar os personagens e os cenários vem a parte chata de colocar tudo no papel, fazer tabelas no execel, e toda a burocracia.


E: Qual a maior dificuldade na área?

V: Como eu ainda estou no inicio, acho que o difícil é conseguir encaixar o "sonho" criado para o projeto, com o orçamento.


E: Qual conselho você gostaria de ter ouvido antes?

V: Para eu brigar e dar a cara a tapa antes, pois eu sou muito tímida. Hoje já sei lidar melhor com isso, graças aos muitos "Vicky para de te esconder e mostra o que tu sabe!"

Indicações internacionais do curta "O Doce da Tua Língua". Foto/Reprodução Instagram https://www.instagram.com/rafaelmog/

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